Você já parou para pensar em quantos lugares seus dados pessoais estão hoje? Redes sociais, aplicativos, compras online, cadastros, bancos, planos de saúde. A lista é longa e cresce a cada dia. Em 2025, a privacidade de dados deixou de ser um tema distante ou apenas “coisa de tecnologia” e passou a fazer parte da rotina de qualquer pessoa que use a internet — o que significa praticamente todos nós.
Ao mesmo tempo em que a vida digital facilita desde compras até relacionamentos, ela também abriu espaço para golpes cada vez mais sofisticados. Vazamentos de dados, fraudes bancárias, clonagem de contas e uso indevido de informações pessoais se tornaram situações tão comuns que, segundo dados da Federação Brasileira de Bancos (Febraban), foram registradas mais de 3,5 milhões de tentativas de golpe apenas no primeiro semestre de 2024.
A boa notícia é que, com informação e alguns cuidados práticos, é possível reduzir significativamente esses riscos.
Este guia foi pensado para explicar, de forma clara e amigável, como funciona a proteção de dados no Brasil, quais são os golpes mais comuns na internet e o que você pode fazer no dia a dia para proteger suas informações pessoais e sua tranquilidade.
O que é privacidade de dados e por que ela é tão importante
A privacidade de dados diz respeito ao direito fundamental que toda pessoa tem de controlar como suas informações pessoais são coletadas, usadas, armazenadas e compartilhadas. Isso inclui dados aparentemente simples, como nome e telefone, até informações mais sensíveis, como documentos pessoais, dados bancários, histórico médico e hábitos de navegação.
Desde setembro de 2020, o Brasil conta com a Lei Geral de Proteção de Dados (LGPD – Lei nº 13.709/2018), que estabelece regras claras sobre como empresas podem tratar dados pessoais. A lei garante que você tenha controle sobre suas informações e possa saber exatamente o que é feito com elas. Em outras palavras, seus dados são seus e ninguém pode usá-los sem sua permissão clara.
Quando esses dados caem em mãos erradas, os prejuízos podem ir muito além do financeiro. Golpes podem gerar transtornos emocionais profundos, perda de tempo, exposição indevida, constrangimento e até problemas jurídicos complexos. Por isso, falar em privacidade é falar em proteção da própria vida digital e, consequentemente, da sua qualidade de vida.
Além disso, empresas e plataformas têm responsabilidade legal sobre os dados que coletam. Mas, como em tudo na vida, o usuário também precisa fazer sua parte, adotando boas práticas de segurança digital no dia a dia. Afinal, a porta mais segura do mundo não protege nada se você deixar a chave embaixo do tapete.
Principais riscos à segurança de dados em 2025
A segurança de dados em 2025 enfrenta desafios cada vez mais complexos e sofisticados. Golpistas não são mais aqueles personagens caricatos de mensagens mal escritas e cheias de erros. Hoje, eles utilizam engenharia social refinada, inteligência artificial generativa e técnicas de persuasão psicológica para enganar até os usuários mais cautelosos, muitas vezes se passando por empresas conhecidas, bancos, instituições governamentais ou até pessoas próximas.
Entre os golpes mais comuns na internet estão mensagens falsas por WhatsApp se passando por parentes em apuros, e-mails perfeitamente formatados que imitam comunicações oficiais (phishing), links maliciosos disfarçados de promoções irresistíveis, boletos fraudulentos com códigos de barra alterados e ofertas que parecem boas demais para ser verdade — porque geralmente são. Segundo o Instituto de Defesa do Consumidor (IDEC), em muitos casos o golpe acontece simplesmente porque o usuário fornece a informação sem perceber o contexto suspeito.
Outro risco extremamente frequente é o uso de senhas fracas ou repetidas em vários serviços. Quando uma plataforma sofre vazamento de dados, e isso acontece mais do que você imagina, essas senhas acabam sendo testadas automaticamente em outros serviços, ampliando exponencialmente o dano. É como usar a mesma chave para sua casa, carro, cofre e escritório: se alguém consegue uma cópia, você perde tudo de uma vez.
A Autoridade Nacional de Proteção de Dados (ANPD) registrou um aumento de 45% nas notificações de incidentes de segurança em 2024 comparado ao ano anterior, evidenciando que o problema está longe de diminuir.
Boas práticas de privacidade no dia a dia
Adotar boas práticas de privacidade não exige conhecimento técnico avançado nem um curso de ciências da computação. Pequenas mudanças de hábito já fazem uma diferença enorme na proteção de informações pessoais. Pense nisso como escovar os dentes: simples, rápido e essencial para evitar problemas maiores no futuro.
Desconfiar de links recebidos por mensagens mesmo de contatos conhecidos, evitar compartilhar dados sensíveis por aplicativos e conferir cuidadosamente a origem de qualquer comunicação são cuidados básicos mas extremamente eficazes. Sempre que possível, prefira acessar sites digitando o endereço diretamente no navegador em vez de clicar em links recebidos. Parece trabalhoso, mas são literalmente 10 segundos que podem poupar horas de dor de cabeça.
Outro ponto importante e frequentemente negligenciado é revisar as permissões de aplicativos e redes sociais. Muitas vezes, apps têm acesso a muito mais dados do que o necessário para funcionar: sua localização em tempo real, lista de contatos, fotos, microfone. Pergunte-se: aquele aplicativo de lanterna realmente precisa acessar seus contatos? Ajustar essas configurações periodicamente ajuda a reduzir drasticamente a exposição desnecessária de informações pessoais.
Vale também ficar atento aos termos de uso e políticas de privacidade. Sim, são textos longos e muitas vezes tediosos, mas ao menos procure entender o básico: o que a empresa coleta, por quanto tempo armazena e com quem compartilha seus dados. A LGPD garante que essas informações sejam apresentadas de forma clara, se não estiverem, isso já é um sinal de alerta.
Como evitar golpes digitais mais comuns
Saber como evitar golpes digitais começa pelo reconhecimento de padrões e sinais de alerta que se repetem na maioria das fraudes. Mensagens com tom de urgência artificial (“sua conta será bloqueada em 24 horas!”), pedidos de confirmação imediata sem contexto claro ou ameaças de consequências graves costumam ser bandeiras vermelhas gigantes.
Memorize esta regra de ouro: nunca, em hipótese alguma, informe senhas, códigos de verificação, tokens bancários ou dados completos de cartões por telefone, mensagem ou e-mail. Empresas e instituições financeiras sérias jamais solicitam esse tipo de informação por esses canais. Se alguém pedir, já é golpe.
Em caso de qualquer dúvida, desligue ou ignore a mensagem e procure o canal oficial da empresa através do site ou aplicativo oficial antes de qualquer ação.
Cuidado especial com mensagens de pessoas conhecidas pedindo dinheiro ou ajuda urgente. Golpistas conseguem clonar contas de WhatsApp ou criar perfis falsos convincentes. Uma ligação de voz rápida para confirmar resolve o problema e pode evitar prejuízos de milhares de reais.
Além disso, manter dispositivos atualizados e usar antivírus confiáveis contribui significativamente para uma navegação mais segura. As atualizações de sistema frequentemente corrigem brechas de segurança descobertas. A tecnologia ajuda muito, mas a atenção e o senso crítico do usuário ainda são a principal e mais eficaz barreira contra golpes.
Cibersegurança para iniciantes: cuidados simples que funcionam
A cibersegurança para iniciantes passa por medidas práticas, acessíveis e que realmente fazem diferença. Criar senhas fortes é um dos primeiros e mais importantes passos. Uma boa senha deve ter no mínimo 12 caracteres combinando letras maiúsculas e minúsculas, números e símbolos. Esqueça “123456” ou “senha123” essas são quebradas em segundos. Considere usar frases longas ou um gerenciador de senhas confiável para criar e armazenar combinações únicas para cada serviço.
Sempre que disponível, ative a autenticação em dois fatores (2FA). Esse recurso adiciona uma camada extra de proteção: mesmo que alguém descubra sua senha, ainda precisará de um código que só você recebe no seu celular ou e-mail. Praticamente todos os serviços importantes oferecem essa opção hoje. É só procurar nas configurações de segurança.
Evite usar redes Wi-Fi públicas de cafés, aeroportos ou shopping centers para acessar bancos, fazer compras online ou acessar informações sensíveis. Essas redes são mais vulneráveis e facilitam a interceptação de dados. Se for absolutamente necessário, considere usar uma rede privada virtual (VPN) confiável, que criptografa sua conexão.
Também é fundamental fazer backups periódicos de dados importantes em locais seguros, como nuvens confiáveis ou discos externos. Em caso de ataque de ransomware (quando criminosos sequestram seus arquivos e pedem resgate) ou perda de acesso, isso evita danos irreparáveis e facilita enormemente a recuperação de informações valiosas.
Segurança digital é responsabilidade compartilhada
A segurança digital para usuários envolve tanto o comportamento individual consciente quanto a atuação responsável das empresas e instituições que coletam nossos dados. Leis de proteção de dados como a LGPD existem justamente para garantir direitos fundamentais e estabelecer obrigações claras, mas elas não substituem, e nunca substituirão, o cuidado diário que cada um deve ter com as próprias informações.
A ANPD tem poder para fiscalizar empresas e aplicar multas que podem chegar a R$ 50 milhões ou 2% do faturamento, o que estimula as organizações a levarem o tema a sério. Mas você também é parte fundamental dessa equação. Quanto mais consciente e informado o usuário estiver sobre seus dados e direitos, menor será o risco de exposição e mais difícil será para os golpistas terem sucesso.
Informação, atenção e prevenção caminham juntas quando o assunto é privacidade digital. Proteger seus dados não significa viver com medo da internet ou se privar das facilidades que ela oferece, mas sim usá-la de forma mais consciente, crítica e segura. É possível aproveitar todos os benefícios do mundo digital sem entregar de bandeja aquilo que é seu por direito.
Quando buscar orientação especializada
Em situações de vazamento confirmado de dados, golpe bem-sucedido, uso indevido de informações pessoais ou cobranças relacionadas a fraudes, buscar orientação jurídica especializada é fundamental e pode fazer toda diferença no resultado final. Muitas pessoas não sabem que têm direitos assegurados pela LGPD e pelo Código de Defesa do Consumidor, e que existem caminhos legais efetivos para lidar com esses problemas, incluindo indenizações por danos materiais e morais.
Se você desconfia que suas informações foram usadas de forma indevida, teve dados vazados por uma empresa, foi vítima de fraude ou simplesmente quer entender melhor como se proteger preventivamente, uma orientação jurídica especializada pode ajudar a esclarecer seus direitos específicos, as responsabilidades das partes envolvidas e os próximos passos mais adequados para sua situação.
Cuidar da privacidade de dados é, no fim das contas, uma forma importante de cuidado consigo mesmo e com quem você ama. Em um mundo cada vez mais digital e interconectado, informação de qualidade e prevenção consciente são as melhores, e mais econômicas, formas de proteção.
Quer entender melhor seus direitos relacionados à proteção de dados ou precisa de orientação sobre um caso específico? Fale com a Zendron Advocacia. Nossa equipe especializada está pronta para ajudar você a navegar com segurança e conhecimento pelo mundo digital.





